UM ANO DE PANDEMIA: O CAOS INSTAURADO | Crônica de Rodrigo Antonio Toigo

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Final de 2019. Casos isolados de uma nova doença são noticiados a partir da China. Início de 2020: Europa está infectada. Vários países perdendo dezenas de pessoas por dia para a Covid-19. O Brasil apenas de olho. Carnaval, festas, aglomerações. Tudo normal. O isolamento social era apenas no hemisfério norte. Estávamos livres do coronavírus. Mas nos enganamos. E a conta veio. Cara demais. Amarga demais. E estamos pagando por ela há um ano.

Fevereiro de 2020: primeiro caso no Brasil.

Mas não era aqui no Sul, para que nos preocuparmos?

Março de 2020: primeiro óbito por Covid-19, no Brasil, mas foi em São Paulo. Então, para que nos preocuparmos? Mesmo assim, a quarentena, palavra que mal sabíamos o significado, chegou e em 20 de março de 2020 passamos a viver como pássaros em uma gaiola. O pânico começou a tomar conta do Brasil. Declarações absurdas eram ouvidas pela TV e internet. A economia, já frágil, passou a ter ainda mais problemas. A saúde, com suas dificuldades, passou a trabalhar com mais ardor. A educação presencial passou a ser remota, um formato novo, que amedrontou professores, pais e alunos. E se tornou o novo normal. O mundo mudou, mas o nosso país colapsou.

Aglomerações indevidas, festas clandestinas, praias lotadas, negacionistas por toda a parte. A “gripezinha” não matou números. Matou seres humanos que possuíam família. Essas, desoladas para sempre. Famílias inteiras com uma mancha escura de luto. Um ano se passou. E não podemos comemorar nada, além de ainda estarmos vivos, com saúde. Mas quem não conhece um parente, amigo, vizinho, colega que não contraiu essa maldita doença?

Quem não conhece alguém que perdeu a vida para esse vírus, por tantos, ignorado? Marionetes na cidade projetada, no atual mais importante ministério, de mãos atadas sem poder realmente trabalhar. Portas cerradas para conter a propagação, enquanto hospitais lutam por oxigênio, respiradores, máscaras, luvas, remédios e comida. Desumano!!!! Cidades em lockdown. A economia agoniza. A saúde agoniza. Nosso país a procura da paz. Vivemos uma guerra contra um inimigo abstrato, que entra em nosso organismo e nos fere até o último suspiro.

Ações drásticas tomadas por poderes sensatos, enquanto festas clandestinas continuam a acontecer, por pessoas de todos os níveis da sociedade. Afinal, pensar no próprio umbigo é melhor que respeitar o coletivo. E se quando tudo isso começou pensávamos que seria algo passageiro, ao olharmos para trás e vermos que 365 dias se passaram, desde os primeiros decretos de fechamento, isolamento, o medo volta à tona. Não somos um país de maricas, e sim de pessoas fortes, trabalhadoras e acima de tudo, humanas. Mas o vírus está aí. Não há como negar. Ontem, apenas ontem, um único dia, 24 horas, 2.815 pessoas, pais, mães, filhos, irmãos, avós, tios, amigos, colegas de trabalho, se foram.

Alguns poderiam ter morrido de acidente ou outras doenças, mas foram acometidos pelo inimigo mais poderoso que nos ronda. Ao todo, 290.314 óbitos em nosso país. De uma única doença, em um ano. “Não se morre mais por outro motivo”? Hipocrisia tremenda falar isso. Em um único ano morreu tanta gente assim de acidente de trânsito? De câncer? AVC, infarto? Assassinato? Isso tudo, enumerado anteriormente, não se contrai por aí, em festas, com um aperto de mão, com um abraço, andando pelas ruas.

Está aí a diferença gritante. Gritante. Grito. Gritar. Essa é a dolorosa vontade que temos. Enquanto os verdadeiros heróis, os mitos da saúde choram por não saberem mais o que fazer, muitos ainda negam a existência da indesejada das gentes (como disse o poeta Bandeira) que está por aí. Mas ao contrário do poema, não a queremos, não a desejamos, ainda temos muito a viver. Precisamos nos cuidar. A economia precisa voltar. A educação precisa voltar a andar. Portanto, os protocolos de segurança estão aí para serem usados. E de quem é a culpa da economia estar vivendo um caos?

O próprio ser humano, que não sabe respeitar o isolamento. Não consegue viver a não ser em multidões. Se cada um fizesse a sua parte. Se cada um deixasse a baladinha para mais tarde, muitas vidas ainda estariam conosco. As empresas e escolas estariam todas abertas. Infelizmente, há famílias padecendo, crianças, jovens e adultos de fome morrendo. E a vacina? Um parágrafo a parte. Estamos muito atrás em muitos aspectos, e infelizmente com a vacinação contra a Covid-19 não é diferente. O que deveria ter sido feito lá atrás, ainda no ano passado, foi deixado passar. E mais uma vez. Quem paga a conta? Nós. A que preço? O preço que dinheiro nenhum paga. Com 290.314 vidas perdidas.

A conta chegou.

Os combustíveis com valores elevados, comprovam. E aí, a culpa é de quem? Infelizmente, ao meu ver, de todos nós! E que Deus nos proteja, nos dando saúde e esperança, e que possamos estar aqui, daqui a um ano, eu, redigindo uma nova crônica, dando Graças a Deus pelo fim da pandemia, e vocês aí, a lendo, comentando, curtindo, criticando.

Crônica por: Rodrigo Antonio Toigo